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Inclusão ainda é exceção
por Greenz Digital

Esta é a primeira News de 2019 e já queremos iniciá-la com questionamentos e informação. Então, para abrir este texto, escolhemos uma frase muito sábia e sensata da Carolina Ignarra, sócio-fundadora da Talento Incluir:

A legítima inclusão deve estar no processo e não apenas no discurso das organizações”.

Bem, dito isso, bora começar a falar mais sobre esse tópico que precisamos discutir e dar a devida atenção: a inclusão de pessoas com deficiência.

Ainda há muito o que aprender

Muito já foi dito sobre o assunto nos últimos tempos e muitas empresas já estão mudando seus métodos e culturas internas procurando, de fato, se tornarem mais inclusivas, mas ainda há um bocado de caminho pela frente. Hoje, há um pensamento mais crítico sobre nossas atitudes e agora sabemos que precisamos, como sociedade, pensar mais nessas pessoas e em suas necessidades.

Mas, antes de tudo, é muito importante que saibamos mais sobre o assunto para embasarmos nossa conversa. Para o dicionário Michaelis, inclusão é o ato ou efeito de incluir; introdução de uma coisa em outra, de um indivíduo em um grupo, etc.; inserção”. Mas conversando com Emily Lourenço, estagiária em RH e estudante de psicologia, e Lucas Nunes, auxiliar de inclusão escolar de crianças e adolescentes com deficiência no ensino regular e estudante de psicologia, aprendemos mais sobre esse processo e o que ele significa de um modo mais humano. Segundo eles, inclusão é você ver e reconhecer a pessoa que a sociedade excluiu como uma cidadã, dar voz a ela e entender sua necessidade e, através disso, incluí-la dentro de contextos sociais onde ela não teria tanta oportunidade”.

Alguns autores da psicologia, em especial a educacional, dividiram o relacionamento da pessoa com deficiência com a sociedade em 4 estágios, em que a inclusão é o último deles. Por isso é importante manter em mente que ainda não alcançamos a plenitude desse conceito. Estamos em um momento de transição para o último estágio, para um tempo no qual as coisas que afirmamos acima sejam realidade. Voltando nossos olhares para o mundo do trabalho, os números nos entregam um cenário diferente do que tanto queremos: de acordo com o Censo de 2010, 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. E se pararmos para fazer uma continha rápida, 24% da população equivale a mais de 45 milhões de brasileiros, dos quais apenas 1% – UM POR CENTO! – tem um emprego.

E como mudar isso?

Para que essa realidade do mercado de trabalho se transforme e que o estágio final desse processo chegue, existe a necessidade de criar e cultivar uma cultura de inclusão dentro das empresas. Isso leva tempo, porém é algo muito necessário para a evolução do mercado e do negócio em si. É o futuro!

“As novas gerações têm a necessidade de estar em uma empresa que seja boa como instituição e para o mundo, de alguma forma”, diz Emily, que trabalha na área organizacional. “Com essa geração entrando no mercado e a demanda social atual sobre o aspecto, e empresas que não têm uma responsabilidade nesse sentido sendo deixadas de lado, outras corporações estão ficando atentas de como inclusão é importante”, conclui.

Por isso, iremos dar alguns poucos toques e direcionamentos para você e sua empresa começar a caminhada na estrada da inclusão e, assim, evoluir junto da sociedade! Vamos nessa?

Dica 1 – Ordem na casa

Esta é a mais óbvia, porém muito necessária: a empresa precisa ter infraestrutura adequada para receber a PcD (Pessoa com Deficiência), assim como oferecer um treinamento dentro da empresa e fazer com que a instituição vista a camisa da causa. Tudo com acompanhamento de profissionais da psicologia e gestores de RH.

Dica 2 – O “p” de PcD é de “Pessoa”

Esta é muito importante! Há uma ideia muito enraizada em nossa sociedade de que “deficiência é doença”. É uma ideia que precisa acabar! Este é um pensamento completamente equivocado e ofensivo. Por conta disso, desenvolvemos padrões de comportamento inconscientes com essas pessoas, colocando-as como seres indefesos, vítimas e coitados, e tira do PcD o lugar como indivíduo.

“O pensamento inclusivo, a real inclusão, traz um benefício psíquico, devolve a oportunidade dessa pessoa desenvolver sua autonomia, devolve o sentimento de que ela pode fazer suas próprias coisas, fazer suas próprias decisões, e muda o lugar social ao qual ela foi inserida de “vítima” para “um cidadão como todos”, diz Lucas. Por isso, o segundo conselho que damos é: trabalhe com seus funcionários, gerentes, sócios, etc, e saiba ouvir, conheça a real necessidade da pessoa, deixe que ela coloque sua própria subjetividade em seu trabalho, e olhe-a como um cidadão com história, desejos, angústias e expectativas de carreira próprios e que devem ser respeitados – assim como se deve fazer isso com todos os seus funcionários também.

Dica 3 – Empatia, empatia. Como você se sentiria?

Que o ser humano precisa de empatia, isso já sabemos. Mas no caso de empresas que querem ser realmente inclusivas, há a necessidade de uma empatia genuína. Não tomar decisões para que a companhia tenha visibilidade, uma boa imagem ou apenas para cumprir a legislação, mas “entender a PcD, sua demanda e tomar decisões com real desejo de mudança, de valorizar o outro, seus direitos humanos, sua cidadania, enxergando esse indivíduo de forma genuína”, segundo Lucas.

Dica 4 – Chefe é chefe, né, pai?

Nesta quarta e última dica, falamos diretamente com as mentes por trás das companhias: você, como gestor de pessoas, precisa ter uma mente aberta sempre, ter ciência de que não fará essa mudança sozinho, que necessitará de apoio profissional para isso e, acima de tudo, precisa ser sábio e ter tato para guiar seus funcionários pelo processo de adaptação com a PcD, além dar completo apoio para a própria PcD também. “Fazer com que ela sinta que é uma pessoa que você realmente quer ter na empresa e confia em sua capacidade como profissional, e quer que a empresa cresça junto dela”, complementa Emily.

O aprendemos hoje?

Essas são apenas quatro dos milhares pontos a se levantar e se pensar para que a cultura da inclusão seja uma realidade. É algo que exige, como já dissemos, querer transformar a filosofia e a infraestrutura de sua empresa. Porém, não há nenhum valor que pague a grandeza do resultado! Impactar verdadeiramente a vida de uma pessoa, até mudá-la, trazendo um enorme benefício psíquico e dando a chance para que ela tenha autonomia novamente e seja a autora de sua própria história – coisas que nós, como sociedade, a privamos por tanto tempo!

*por Alex Canpe | Redator na Greenz

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