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Publicidade sobre Tela
por Greenz Digital

Ar.te: Substantivo feminino.

Segundo Aristóteles, já separando arte, filosofia e ciência, técnica de imitação da natureza, sustentada por um fim utilitário e uma concepção mimética que não se confunde com a simples reprodução, mas que corresponde à representação da natureza, de modo que na obra de arte figure um ser, sentimento ou fato […] – (Michaelis, verbete 2)

Mas o que é mesmo arte? As palavras de um verbete de dicionário podem contemplar a imensidão que ela representa? A resposta é não, mas também sim. E talvez seja aí que encontremos “o que é arte”: na linha tênue entre o “racional” e o “sentimental”, o “ser” e o “não ser”, o “definido” e o “incerto”.

E sabe o que é mais mágico? Cada um tem sua própria interpretação de uma obra, da arte em si. Pontos de vista! Algo tão livre, abrangente e sensível que se altera, flui, respira e expande, dependendo do que o ser humano expectador viveu e está vivendo, sentindo, passando e pensando.

A esta altura do campeonato, alguns de vocês podem estar:

“Wow! Que… inspirador.”

Enquanto outros podem estar:

Mas do que você está falando, meu consagrado?

Pois, agora que vocês tiveram essa introdução um tanto quanto poética e superficial do significado de arte, queremos que embarquem com a gente nessa aventura reflexiva, entrem no clima lúdico e artístico, e venham conhecer o (delicado, conturbado e inevitável) relacionamento entre as artes e a publicidade.


L’art et le publicité

Imagem: site Ads of the World

Luiz Gustav, nosso criativo, tem um conceito bastante interessante… Sua própria “indefinição” de arte:

“Arte, por definição, é não ser definida. É substantivo, mas também adjetivo, da primeira à terceira pessoa, de forma imperativa ou infinitiva. Arte é sobre existir, ser parte e efeito do caos, ao mesmo tempo que consequência da lógica. Se tivesse que ser reduzida, arte seria, no mínimo, o efeito do ser pensante, resultado do raciocínio e transcendência do belo, não pelo viés estético, mas através da complexidade e admiração do existir enquanto vida e não sobrevivência”.

Okay… então, colocando em uma sinopse rápida o que seria a arte: ela tenta libertar a expressão humana, da natureza e da vida em sua forma mais pura e desprendida, de maneira única, interpretativa e “atemporal”.

Agora temos uma interpretação “indefinida” do que é arte. Mas e a publicidade? Bem, ela é uma importante ferramenta da comunicação que tem objetivos claros: atingir, tocar, informar e persuadir o “ser pensante”, vender um produto, um serviço e desenvolver o posicionamento de cada empresa, produto, serviço, etc. Ela tenta passar tudo isso de modo fácil, com uma linguagem visual e textual atual, e é propositalmente replicável em vários formatos, finita e objetiva – refletindo a sociedade “líquida” na qual está inserida.

Mas há outro fato que a gente não pode ignorar: a publicidade utiliza da arte para atingir esses propósitos.


A galeria de impacto

A afirmação acima parece ser óbvia demais. Afinal, basicamente toda peça publicitária que vemos tem “a arte”. Mas perceba que não estamos falando da parte visual de uma peça, mas sim das técnicas artísticas, inspirações plásticas, textuais, musicais, performáticas, enfim… estamos falando da arte nas peças. E o porquê da escolha de usá-la é muito simples (ou seria complexa?).

Todas as expressões artísticas e suas nuances estão ligadas diretamente com a passagem do ser humano na terra. Elas mexem com sua parte mais íntima, seu psicológico, seus sentimentos, seu consciente e inconsciente. Por isso, a publicidade usar desses artifícios para, como dissemos, atingir, tocar, informar e persuadir alguém é uma tática muito funcional! É através deles que a publicidade ganha seu tom mais humano, deixa de ser apenas uma ferramenta e se torna algo marcante.

Desde uma melodia chiclete de um jingle que você ouvia quando criança, e que até hoje te remete àquele tempo; as cores utilizadas por marcas, em pontos de venda e/ou em vídeos e fotos, que foram estudadas e escolhidas com precisão para trazerem emoções específicas; uma chamada, uma legenda, um storytelling, um poema ou poesia narrados em um vídeo publicitário (ou comerciais) que aflora sensações únicas em você; até a dança, a encenação e os figurinos dos atores, e tantos outros exemplos, que mostram como somos impactados diariamente pela arte através de peças publicitárias.


Atenção: se liga aí que é hora da revisão

E é aqui que queríamos chegar, pessoal! A questão da arte e da publicidade é algo que levanta questionamentos, entorta narizes, arqueia sobrancelhas e faz discorrer debates interessantes, mas publicitários são, sim, influenciados diretamente pela arte como arte. Porém, em uma realidade capitalista e consumista como a que estamos inseridos – e da qual a publicidade é o motor -, a essência artística acaba passando despercebida. A magia “sem definição” do belo e da expansão de conceitos, palavras, cores e formas se perde, dando um espaço esmagador para o lucro e os resultados. Duas polaridades comunicadoras que se divergem muito uma da outra!

Mas como falamos no começo do texto, não existe uma única e verdadeira perspectiva. Por isso, assim como a arte, deixamos o assunto em aberto para a sua própria interpretação e vivência.

 

*por Alex Canpe | Redator na Greenz e Luiz Gustav | Designer na Greenz

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